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29/05/2010

Arthur Bispo do Rosário


Natural de Japaratuba-Sergipe, Arthur Bispo do Rosário é descendente de escravos africanos, foi marinheiro na juventude, vindo a tornar-se empregado de uma tradicional família carioca.
Na noite 22 de Dezembro de 1938, despertou com alucinações que o conduziram ao patrão, o advogado Humberto Magalhães Leoni, a quem disse que iria se apresentar à Igreja da Candelária. Depois de peregrinar pela rua Primeiro de Março e por várias igrejas do então Distrito Federal, terminou subindo ao Mosteiro de São Bento, onde anunciou a um grupo de monges que era um enviado de Deus, encarregado de julgar aos vivos e aos mortos. Dois dias depois foi detido e fichado pela polícia como negro, sem documentos e indigente, e conduzido ao Hospício Pedro II (o hospício da Praia Vermelha), primeira instituição oficial desse tipo no país, inaugurada em 1852, onde anos antes havia sido internado o escritor Lima Barreto (1881-1922).

Um mês após a sua internação, foi transferido para a Colônia Juliano Moreira, localizada no subúrbio de Jacarepaguá, sob o diagnóstico de "esquizofrênico-paranóico". Aqui recebeu o número de paciente 01662, e permaneceu por mais de 50 anos.
Em determinado momento, Bispo do Rosário passou a produzir objetos com diversos tipos de materiais oriundos do lixo e da sucata que, após a sua descoberta, seriam classificados como arte vanguardista e comparados à obra de Marcel Duchamp. Entre os temas, destacam-se navios (tema recorrente devido à sua relação com a Marinha na juventude), estandartes, faixas de mísses e objetos domésticos. A sua obra mais conhecida é o Manto da Apresentação, que Bispo deveria vestir no dia do Juízo Final. Com eles, Bispo pretendia marcar a passagem de Deus na Terra.

Os objetos recolhidos dos restos da sociedade de consumo foram reutilizados como forma de registrar o cotidiano dos indivíduos, preparados com preocupações estéticas, onde se percebem características dos conceitos das vanguardas artísticas e das produções elaboradas a partir de 1960.
Utilizava a palavra como elemento pulsante. Ao recorrer a essa linguagem manipula signos e brinca com a construção de discursos, fragmenta a comunicação em códigos privados.
Inserido em um contexto excludente, Bispo driblava as instituições todo tempo. A instituição manicomial se recusando a receber tratamentos médicos e dela retirando subsídios para elaborar sua obra, e Museus, quando sendo marginalizado e excluído é consagrado como referência da Arte Contemporânea brasileira.


"Cada louco é guiado por um cadáver. O louco só fica bom quando se vê livre desse morto". - Arthur Bispo do Rosário

Fontes: Wikipédia, Google

03/05/2010

O dia em que traduzi Renato Russo - Millôr Fernandes

Meu cartaz aumentou muito com a galera da faixa etária entre 15 e 20 anos, depois que Renato Russo me citou duas vezes em seus shows, como guru não sei de quê. Não muito tempo depois, José Costa Netto, meu advogado e agente de direitos autorais, me telefonou dizendo que Russo queria que eu ― profissionalmente ― traduzisse um poema (musical) dele. Recusei, achando que fosse tradução do português pro inglês. Não acredito em quem faz traduções pra outra língua que não a sua. (Viva o Povo Brasileiro, de João Ubaldo, tradução pro inglês feita por ele mesmo, tradução que não li, mas me dizem excelente, é exceção. Mas com maluco não só não se discute como é melhor não estabelecer regras).

De pura curiosidade pedi pra ler o poema. Minha estranheza foi enorme ― o poema, dedicado a um grande amigo dele, Cazuza, era denso, misterioso, cheio de sub-intenções, e em excelente inglês. Como uma pessoa que escrevia inglês assim me pedia para fazer a tradução? De qualquer forma topei traduzir, depois que o agente combinou o preço, altamente profissional. Altamente profissional, também, Renato Russo não hesitou diante do preço, bem, os da Legião Urbana não sabiam se o último show deles tinha 10 ou 60.000 espectadores.

Traduzir o poema era tarefa delicada, a começar pelo título "Feed-back for a dying young man". Qualquer tradutor desprevenido não perceberia que feed-back aí era um jogo de palavras entre o retorno emocional que o poeta fazia, com o retorno musical comum na música grupal ― quando um músico "solicita" a resposta do outro, tipo jam session. A palavra podendo significar ainda retorno de som, aquele que dá microfonia. E seria lamentável traduzir dying por moribundo, palavra que indica instantes finais e soturnos, e não, como alguém à morte, morte esperada mas sem tempo definido pra chegar, a palavra conservando ainda o lastro romântico das damas das camélias.

Porém, traduzido o poema, sendo o poema audacioso e seu autor vivo, entrei em contato com ele para aprovação. Renato não corrigiu uma palavra. Apenas, aqui e ali, murmurava, perplexo e escandalizado: "Deus, do céu, eu escrevi isso?", confirmando a minha tese de que não há bilingue. Só quando ouviu em sua própria língua o que tinha escrito em inglês, Renato percebeu a audácia do que dizia. Do lado de cá o surpreendido era eu. Com toda razão tendo opinião não muito lisonjeira a respeito do nível intelectual da maioria dos roqueiros, fui ficando admirado com a sutileza e justeza das observações de Renato e da perfeição com que ele citava coisas em inglês ― incluindo Shakespeare. Seu inglês era, definitivamente, melhor do que o meu. Até hoje não entendi por que me pediu a tradução. O poema foi incluído num de seus últimos CDs.

"Feedback song for a dying friend"
(Dado Villa-Lobos/ Renato Russo/ Marcelo Bonfá) © 1985

Soothe the young man's sweating forehead
Touch the naked stem held hidden there
Safe in such dark hayseed wired nest
Then his light brown eyes are quick
Once touch is what he thought was grip
This not his hands those there but mine
And safe, my hands do seek to gain
All knowledge of my master's manly rain
The scented taste that stills my tongue
Is wrong that is set but not undone
His fiery eyes can slash my savage skin
And force all seriousness away
He wades in close waters
Deep sleep alters his senses
I must obey my only rival ―
He will command our twin revival:
The same
Insane
Sustain
Again
(The two of us so close to our own hearts)
I silenced and wrote
This is awe
Of the coincidence

"Canção retorno para um amigo à morte"

Alisa a testa suada do rapaz
Toca o talo nu ali escondido
Protegido nesse ninho farpado sombrio da semente
Então seus olhos castanhos ficam vivos
Antes afago pensava ele era domínio
Essas aí não são suas mãos são as minhas
E seguras, minhas mãos buscam se impor
Todo conhecimento do jorro viril do meu senhor
O gosto perfumado que retém minha língua
É engano instalado e não desfeito
Seus olhos chispantes podem retalhar minha pele bárbara
Forçar toda gravidade a ir embora
Ele vadeia em águas fechadas
Sono profundo altera seus sentidos
A meu único rival eu devo obedecer
Vai comandar nosso duplo renascer:
O mesmo
Insano
Sustenta
Outra vez.
(os dois juntos junto de nossos próprios corações)
Calei e escrevi
Isto em reverência
Pela coincidência

Nota do Editor
Texto "descoberto" pelo nosso Colunista Diogo Salles e gentilmente cedido pelo autor. Reproduzido aqui como homenagem aos 50 anos de nascimento de Renato Russo, e também lembrando os 20 anos da morte de Cazuza. Clique AQUI para ler o artigo na íntegra.

22/08/2009

Eu, meu pai e Roberto


Dias atrás, um amigo no orkut postou fotos de alguns CDs que ele gosta, nisto eu vi um, Roberto Carlos ( um LP de 1971 ).
Não sou tão fã assim do "rei"... mas faz parte da minha memória afetiva.
Me lembrei de tentar convencer meu pai a deixar eu usar a "vitrola" que ele morria de ciumes, depois de muita recomendação, e alguns espirros por causa do pó e de tudo limpo começo a tocar... CD não tem a mesma graça ( ou nostalgia, sei la...)
Detalhes , Como Dois E Dois , A Namorada, Você Não Sabe O Que Vai Perder, Traumas, Eu Só Tenho Um Caminho, Todos Estão Surdos, Debaixo
Dos Caracóis Dos Seus Cabelos, Se Eu Partir, I Love You, de Tanto Amor, Amada, Amante... ouvia eu com atenção, isso eu devia ter meus 12, 13 anos... o legal disso tudo era meu pai, sentado na cama, me olhando desconfiado e volta e meia dando palpites e eu ali maravilhado.
Motivado pela lembrança do LP, baixo a música Todos estão surdos... ao toca-la, meu pai fala de longe - Mas ta limpinho o som... era o inicio de uma longa conversa... explicando que tinha baixado... agora era ele que se maravilhava, pedindo pra eu conseguir pra ele L'ultima Cosa e O homem, que ele fez questão de esperar pacientemente enquanto contava curiosidades e explicava pela milésima vez por que ele era o "rei".
Segue um trechinho de Todos estão surdo:

Desde o começo do mundo
Que o homem sonha com a paz
Ela está dentro dele mesmo
Ele tem a paz e não sabe
É só fechar os olhos e olhar pra dentro de si mesmo

Tanta gente se esqueceu
Que a verdade não mudou
Quando a paz foi ensinada
Pouca gente escutou
Meu Amigo volte logo
Venha ensinar meu povo
O amor é importante
Vem dizer tudo de novo...


13/08/2009

Palíndromos

Um palíndromo é uma palavra, frase ou qualquer outra sequência de unidades que tenha a propriedade de poder ser lida tanto da direita para a esquerda como da esquerda para a direita. Num palíndromo, normalmente são desconsiderados os sinais ortográficos, assim como o espaços entre palavras.

A palavra "palíndromo" vem das palavras gregas palin ("para trás") e dromos ("corrida, pista").

Frases:

Me vê se a panela da moça é de aço, Madalena Paes, e vem;

Luza Rocelina, a namorada do Manuel, leu na Moda da Romana: anil é cor azul;

Socorram-me, subi no ônibus em Marrocos;

Oto Come Mocotó ou Oto come doce seco de mocotó;

Lá vou eu em meu eu oval;

Acorde Pedroca;

Poema:

Rã, poesia, ais e o par

Lá, neve. Lá... neve; é venal... é venal!
Lá, moa osso ao mal...
A chama ama chá...

Só corpos, socos...
Socor..! Posso?
Osso pro cós, só pro cós!

O acho ao chão
E, lave... a vala, lava e... vale?
Armas são sãs? O assam: rã?
E topo rapar a rã para rapar o pote
Armas são sãs? O assam: rã?
E, lave a vala; lã vã e... vale!
O acho ao chão

Só corpos? Socos?...
Só cor... Posso.
Osso pro cós, só pro cós!

A chama ama chá?
Lá... Moa-os! – soa o mal...
Lã, neve, lã, neve: é venal, é venal...

[Pedro Paulo Garcia]

06/08/2009

Prêmio Culturas Populares 2009

Prêmio Culturas Populares 2009 – Edição Mestra Dona Izabel, Artesã Ceramista do Vale do Jequitinhonha – Inscrições até 28 de agosto
O Ministério da Cultura, por meio da Secretaria da Identidade e da Diversidade Cultural, divulgou o lançamento do Prêmio Culturas Populares 2009 - Edição Mestra Dona Izabel, Artesã Ceramista do Vale do Jequitinhonha. As inscrições estarão abertas até 28 de agosto. Ao todo, serão contempladas 195 iniciativas, que receberão prêmios no valor de R$ 10 mil. A premiação será dividida em duas categorias: Mestres e Mestras dos Saberes; e Fazeres e Grupos e Comunidades Tradicionais. Este é o quarto edital lançado pelo MinC para destacar trabalhos relacionados às manifestações da cultura popular no país.
Confira o Edital do Prêmio Culturas Populares 2009.

26/04/2009

Jequitinhonhês o dialeto do Vale (do Jequitinhonha)

Urubu não chupa cana
Língua de sogra não tem peçonha
Cantador pra ter coragem
Não precisa ter vergonha
Vou cantar a minha terra
Vale do Jequitinhonha

Nossa língua é diferente
Quando eu falo você nota
Resfriado é difruço
Nome de rã é caçota
Quilo e meio pra nós é prato
E carro de mão é galinhota

Derrancado é estragado
Inginhar é encolher
Crocodilar é trair
Inricar é enriquecer
Conversa fiada é ingrisia
E bater caçuleta é morrer

Madorna quer dizer cochilo
Besteira é sinônimo de bestagem
Gastura é o mesmo que coceira
Tutano quer dizer coragem
Cavar o toco é elogiar
E rotar quibebe é contar vantagem

Zanzar é andar sem rumo
E obrar é defecar
Apurado é caboclo nervoso
E ouvir é assuntar
Trabalho pesado é barrufo
E escrever é assentar

Veronca é uma moeda qualquer
Ana é apelido de hum cruzeiro
Nica também é moeda
E puba quer dizer dinheiro
Doutor é nome de urinol
E goró é caboclo roceiro

O órgão genital feminino
É danado pra ter nome diferente
Pressiguida é um deles
Pra dizer no meio de gente
Belarmina, míndia ou prequita
Até parece nome inocente

Restojo é o mesmo que resto
E ruir é destiorar
Visage é assombração
E zunir é arremessar
Nascida é nome de furúnculo
e tinir alguém é matar

Gibeira é bolso da calça
Que nunca anda lotado
Ficar pensando é bisuntar
Cubar é olhar de lado
Desinxavido é inexpressivo
E caboclo elegante é espigado

Quebrar orêia dum objeto
É o mesmo que dobrar
Nome de colo é cacunda
Carregar na cacunda é escanchar
China é bolinha de gude
E dar pinicão é beliscar

Arrigestir é resistir
Melar que dizer buzuntar
Ajutório é o mesmo que ajuda
Cobrir o corpo é ribuçar
Fôrgo é apelido de fôlego
E dar fôrgo morto é roubar

Pocar é estourar
Ficar perrengue é adoecer
Lançar quer dizer vomitar
E virar um peido é correr
Negar a direita é dobrar
Embainhar o facão é envelhecer

Burriscar quer dizer rabiscar
A leitura é sabedoria
Coxé é quem manca muito
Encheção de saco é luvuzia
Pipôco é o mesmo que estrondo
E cartilogência é categoria

Abrir o pano ou limpar o beco
Você sabe o que quer dizer?
É o mesmo que virar um peido
Se não deu pra entender
Eu explico mais detalhado
É azular, sumir ou correr

Tiçar a mão, picar o tapa
Tudo significa bater
Pêia é caboclo esperto
Incapaz de esmorecer
Deu upa é ficou difícil
Mas foi fácil de você entender


Tadeu Martins
(nascido em Itaobim - Vale do Jequitinhonha - Minas Gerais - Brasil)


23/03/2009

História do All Star

Surgiu nos Estados Unidos, em 1908.

Os primeiros fabricantes de calçados pensavam em oferecer aos seus clientes apenas uma proteção para os pés. Afinal, essa é a função primordial desse produto. No entanto, as mudanças culturais e o desenvolvimento dos métodos de produção tornaram os calçados objetos muito mais complexos.

Isso aconteceu entre os esportistas no momento em que eles perceberam que era possível ter um melhor desempenho usando determinado calçado. O empresário Marcus Converse notou que a fabricação de produtos específicos como esse seria uma ótima fonte de dinheiro. Já há dez anos fabricando calçados, ele percebeu que o basquete estava se tornando muito popular nos Estados Unidos. Resolveu então criar um tênis especial para o esporte. Sua idéia de marketing era convencer o consumidor de que aquele produto era feito especialmente para jogadores de basquete, uma boa tática de segmentação de mercado.

As vendas iniciais foram boas, mas a coisa veio a melhorar mesmo quando um jovem chamado Chuck Taylor bateu na porta da fábrica. Jogador de basquete, Taylor tinha comprado os primeiros pares dos tênis produzidos pela companhia de Converse. Tendo testado o calçado, ele ofereceu diversas dicas para melhorá-lo. Não era um grande jogador, como muitos pensam, mas era um grande designer.

Nascia assim o Converse All Star Basketball Boots - Signed by designer Chuck Taylor, algo como “tênis da Converse das Estrelas de Basquete – Assinado pelo designer Chuck Taylor”.

O modelo era bem singular, tinha um visual muito característico. Nos Estados Unidos ganhou grande popularidade, sendo conhecido pelo apelido de Chuck. A fama do produto de Converse passou as fronteiras dos EUA e foi parar em terras distantes, no outro lado do mundo…

Fonte: http://www.sedentario.org