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08/09/2011

Hoje é dia de Maria


18/08/2011

Os dias...

"De que são feitos os dias? 
De pequenos Desejos, vagarosas Saudades, silenciosas Lembranças" 
Cecília Meireles

19/06/2011

EDUCAR - Rubem Alves

A arte de Umberto Boccioni




Soirée Futurista, Milão 1911
O pintor e escultor Umberto Boccioni foi o mais importante teórico do Futurismo. 
Formou-se em Roma, com Gino Severini, no ateliê de Giacomo Balla, nos primeiros anos do século XX. Aprendendo a pintura neo-impressionista, tornou-se um mestre menor do divisionismo italiano. Fixou-se em Milão, onde conheceu Marinetti, em 1908, e, em 1909, aderiu ao Futurismo, com Balla, Carlo Carrà e Luigi Russolo, assinando com eles o Manifesto dos pintores futuristas, em 1910; no mesmo ano, redigiria o Manifesto técnico da pintura futurista. Convocado para lutar na Primeira Grande Guerra, serviu na artilharia, em Sorte, próximo a Verona, onde morreu após uma queda de cavalo durante exercícios militares.
Sua produção artística e intelectual fluiu até 1916, ano em que publicou em Nápoles O Manifesto dos Pintores Meridionais. Expôs em Paris, Londres, Roma e nos Estados Unidos (São Francisco).

A sensação dinâmica é o principal valor de sua
arte - a ação que se traduz na pintura pela prática das técnicas neo impressionistas, associadas aos princípios do Cubismo, particularmente
depois de seu contato em Paris com Pablo Picasso e os outros cubistas em 1912. Sua pintura abordou temas político-anarquistas, cenas de grande movimentação de figuras em tensão dinâmica e mesmo composições quase abstratas, articuladas pelas linhas-força. Foi inovador na escultura, rompendo com a tradição de Rodin e procurando solucionar todos os aspectos da forma dinâmica na linguagem tridimensional. Suas esculturas ultrapassaram a questão
do movimento absoluto para um movimento relativo, estabelecendo uma tensão
e fusão da forma e do espaço, que se interpenetram. Realizou, ainda, experiências com materiais não tradicionais da escultura, justapondo e articulando vidro, madeira e couro, em trabalhos que chamou de polimaterici (polimatéricos).



DESENVOLVIMENTO DE UMA GARRAFA NO ESPAÇO, 1912

Considerada, com Formas Únicas da Continuidade no Espaço, como a melhor resolução de suas teorias, a pequena peça estrutura-se em torno da forma de um cilindro. O artista aplicou o princípio da decomposição, mas não direcionada por um processo analítico desaglutinador; ao contrário, articula os fragmentos
da forma da garrafa, segundo as linhas-força que inventara, fundindo-os numa síntese. Recusa estabelecer relações ortogonais, principalmente no tocante ao uso de linhas horizontais; assim, através desse propósito imprime um movimento espiralado, ascensional energético, que disciplina a abertura da matéria, nela introduzindo o espaço, estabelecendo em relação diagonal, uma integração ou síntese de tempo, espaço e forma.



FORMAS ÚNICAS DA CONTINUIDADE NO ESPAÇO, 1913
O movimento dinâmico de um corpo humano no espaço é estudado por Boccioni de forma intensiva. Fez quatro figuras em gesso, das quais apenas uma se conserva na coleção do MAC-USP. Trata-se da operação mais radical dos princípios do artista, envolvendo todos os aspectos da forma dinâmica: ação que trabalha a matéria, marcando o impacto como espaço, e em rebordos da matéria, sinuosos, côncavos e convexos, alterando as massas frontalizadas da cabeça - uma interpenetração mútua da matéria e do espaço que faz a massa escultórica fremir nas superfícies. Impregnada de movimento, tanto relativo como absoluto, a figura avança determinada no espaço do espectador. O artista conseguiu materializar o movimento aglutinado à forma que, sendo no espaço, é também um devir a ser continuum.
Read more at www.mac.usp.br

26/01/2011

Solidariedade

"Nós não tínhamos muito a dar naquela época. Os tempos eram difíceis e os negócios iam devagar... Eu me lembro dessa velha senhora que aparentava ser muito mau humorada. Ela pediu quatro pães, mas só tinha dinheiro para três... Foi então que minha mãe fez algo mais: Me pediu para colocar dois pães a mais em sua sacola. Só então percebi que aquela era uma família necessitada. Generosidade, passe-a adiante. Nós fizemos a coisa certa naquele dia."

05/10/2010

Obrigado

Olhando o blog antes e ele hoje, creio que deu uma "amadurecidinha".
Quando comecei o blog em fevereiro do ano passado, concebi como um clipping de musicas, mensagens e coisas que gosto ou me interessam.
Não imagino que isso possa interessar outras pessoas
Fico feliz que tenha chegado a 4.000 mil visitas.
Obrigado e volte sempre(e comente se possivel!)

08/09/2010

Uma Verdade Inconveniente

"Nada é tão desesperador e alarmante quanto a VERDADE"

"Os 10 anos mais quentes do mundo estão entre os últimos 15"

"O número de furacões categorias 4 e 5 praticamente dobrou nos últimos 30 anos"

"O derretimento das geleiras duplicou na última década"

"Mais de 1.000.000 de espécies podem se extinguir até 2050.

No documentário "Uma Verdade Inconveniente", Al Gore apresenta dados alarmantes sobre o aquecimento global, degelo das calotas polares e elevação do nível do mar, analisando eventos como o furacão Katrina.

A humanidade está sentada em uma bomba relógio. Se a grande maioria dos cientistas estiverem certos, nós temos apenas dez anos para evitar a maior catástrofe que pode mandar nosso planeta inteiro para uma expiral destrutiva, de dimensões épicas, envolvendo climas extremos, alagamentos, epidemias e calor excessivo.

Isso é de interesse seu. De interesse de todos nós...

Site oficial: http://www.climatecrisis.net

25/06/2010

Clipping - Agência Minas - Palmópolis

Com um prazo de 10 anos para se adequar a nova lei do governo federal (nº 12.244 de 25/05/2010), que determina que todas as escolas do país, públicas e privadas, possuam uma biblioteca, Minas Gerais precisará de muito menos tempo para atingir a meta, mesmo tendo o maior número de municípios do Brasil. O incentivo à leitura pode ser percebido pelo número de escolas com bibliotecas ou espaços reservados ao estímulo e aprendizado dos estudantes. Das 3.801 escolas da rede estadual, 3.338 possuem uma biblioteca, com acervos de livros que atendem a alunos de todos os anos do ensino fundamental e médio. Outras 64 escolas, por possuírem uma área física menor, apresentam salas de leitura. De acordo com a nova lei federal nº 12.224, de 24 de maio de 2010, cada biblioteca deve ter, no mínimo, um título para cada aluno matriculado. Garantir que estudantes de escolas da rede estadual de ensino tenham acesso à leitura sempre foi uma preocupação da Secretaria de Estado de Educação (SEE). De acordo com a subsecretária de Desenvolvimento da Educação Básica, Raquel Elizabete de Souza Santos, as escolas que estão em fase de construção, ou reforma, já vão ganhar o espaço para a biblioteca. “O espaço para a leitura continua a ser utilizado nas escolas que possuem pouca área física. Essas orientações também são válidas para as escolas rurais”, garantiu. Segundo a subsecretária, a expectativa é que em até cinco anos todo o Estado vai estar de acordo com o que estabelece a lei federal. ”Minas tem a educação como foco, portanto acredito que essa adequação não vai demorar muito”, avaliou.
Os alunos da Escola Estadual Governador Clóvis Salgado, em Palmópolis, no Vale do Jequitinhonha, estão cheios de expectativas com a biblioteca nova que vai ser entregue em noventa dias. No prédio provisório, em que a escola funciona atualmente, a biblioteca divide espaço com o laboratório de informática. Na nova área, que chega a ser três vezes maior, os cerca de mil estudantes vão poder explorar mais as possibilidades que uma biblioteca pode proporcionar. “Os alunos vão ter espaço para se sentarem, ler, pesquisar, além de uma área reservada para a divulgação de livros. Quem vai ganhar com tudo são eles”, ressaltou a vice-diretora, Auriléia Soares do Vale.
Talita Santos de Almeida é uma das alunas que aguardam pelo novo espaço. “A biblioteca nova vai ser mais visitada. Os alunos vão ter mais interesse e isso facilita o aprendizado. Além de ler, vamos realizar pesquisas para os trabalhos da escola”, lembrou a aluna do 7º ano do ensino fundamental.

Fonte: www.agenciaminas.mg.gov.br
Reportagem completa, clique AQUI

18/06/2010

Hoje em Dia - 14/06/2010

Nem salário de R$ 23 mil atrai médico em Jacinto, no Vale do Jequitinhonha
Falta anestesista há dois meses, e a distância dos grandes centros desestimula profissionais da saúde

A falta de médicos no interior de Minas está obrigando os prefeitos a oferecer salários nos mesmos patamares dos que são pagos a executivos de grandes empresas. Em Jacinto, a 781 quilômetros de Belo Horizonte, no Vale do Jequitinhonha, a prefeitura paga R$ 23.800 mensais para um anestesista trabalhar no Hospital Bom Pastor, o único da cidade, que atende pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Conforme o HOJE EM DIA revelou com exclusividade no sábado (12), na Região do Vale do Jequitinhonha... , há um médico para 2.447 moradores, índice 11 vezes menor do que o recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) – que é de um profissional para cada grupo de 215 pessoas.


O salário de anestesista oferecido em Jacinto é quase três vezes maior do que o pago ao prefeito Carlos Dantez Ferraz (PMDB). Mesmo assim, a vaga está em aberto há dois meses. “Os médicos preferem ganhar cerca de R$ 3 mil nas grandes cidades em vez de virem para Jacinto, onde o menor salário da categoria é de R$ 12 mil. As pessoas não querem trabalhar em locais pobres, longe das grandes cidades”, reclama Ferraz.

O salário de anestesista em Jacinto é o maior pago a um profissional em Minas, conforme consta no site Catho, um dos maiores do Brasil em recrutamento. Na mesma cidade, há uma vaga de ortopedista, aberta há dois meses, com salário de R$ 19 mil. A dificuldade para encontrar alguém é a mesma.

Com a falta de médico, a prefeitura é obrigada a comprar ônibus, vans e ambulâncias para levar os pacientes a outras cidades onde há infraestrutura. Segundo o prefeito, são seis veículos e um ônibus que sempre estão levando pacientes para Teófilo Otoni e Belo Horizonte. Mesmo com uma frota grande, Ferraz lembra que muita gente fica na fila.

“Só conseguimos pagar salários altos porque seis prefeituras criaram um consórcio intermunicipal. Cada município contribui com uma parte, além de um complemento que é pago pelo Hospital Bom Pastor”, explica o prefeito de Jacinto.

Em Chapada do Norte, a 550 quilômetros de Belo Horizonte, também no Vale do Jequitinhonha, são três vagas para médico em aberto no Programa Saúde da Família (PSF), com salários de R$ 11.800. Com o menor Índice de Desenvolvimento Humanos (IDH) do Estado, as vagas no município não são preenchidas desde fevereiro.

Segundo o Conselho Federal de Medicina (CFM), a tendência é que o IDH seja mais baixo nos países onde há mais habitantes por médico. Ainda segundo o conselho, não há escassez de médicos no Brasil, e sim uma má distribuição dos profissionais pelo território nacional. Entre 2000 e 2009, a quantidade de médicos aumentou 27%, de 260.216 para 330.825.

No mesmo intervalo de tempo, a população brasileira cresceu aproximadamente 12%, segundo estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em 2000, havia no país um médico para cada grupo de 658 habitantes. Em 2009, a situação passou a ser de um médico para 578 habitantes.

Celso Martins - Repórter - 14/06/2010 
Para ler a reportagem original, clique [AQUI]

10/06/2010

Artesãs do Alto Jequitinhonha (MG), expoem Cerâmicas no Rio de Janeiro

A exposição Nos Campos do Vale: Cerâmica no Alto Jequitinhonha será aberta nessa quinta-feira, dia 10 de junho, na Sala do Artista Popular do Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular (Rua do Catete, 179), no Rio de Janeiro. As peças são produzidas por artesãs das comunidades de Campo Alegre, Campo Buriti e Coqueiro Campo, situadas nos municípios de Minas Novas e Turmalina, integrantes da região do Alto Jequitinhonha, nordeste de Minas Gerais.
Antiga tradição das mulheres da região, é passada de geração em geração, evocando relações simbólicas que sustentam a história e a tradição locais, além de servir de importante alternativa de renda a uma população que costuma migrar, sazonalmente, em busca de trabalho.
As poucas oportunidades de trabalho remunerado, aliadas a problemas como a seca, desgaste do solo e contaminação das águas pela mineração, provocam um êxodo rural sazonal durante o período de seis a nove meses em que os homens migram para o interior de São Paulo e Bahia para trabalhar no corte de cana ou na construção civil.
As mulheres permanecem na terra, cuidando da casa, dos filhos, das criações e da roça. Entre os afazeres, produzem belíssimas peças de cerâmica. Nota-se a importância dessa atividade pelo precioso complemento de renda que representa para as famílias da região. Todavia, é mais do que uma alternativa de subsistência. Da retirada da matéria-prima até sua transformação em objeto, as artesãs lançam mão de um saber transmitido oralmente por suas avós, mães, tias e sogras.
A exposição conta com o apoio da Superintendência do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional do Ministério da Cultura (Iphan/MinC), de Minas Gerais, da Secretaria de Cultura, Turismo e Comunicação do município de Minas Novas (MG) e tem o patrocínio da Caixa Econômica Federal. Ficará aberta ao público de terça a sexta-feira, das 11 às 18h, e nos sábados, domingos e feriados, das 15 às 18h.
Leia mais.
Informações: (21) 2285-0441, ramais 204, 205 e 206
Setor de Difusão Cultural do CNFCP/Iphan/MinC

06/06/2010

Palmópolis

Vista do lado leste da cidade, é por esse caminho que se chega a Palmópolis, vindo da cidade de Rio do Prado.
Fotos:
Visão do asfalto que liga Palmópolis a cidade de Rio do Prado ao entardecer, pavimentaçao feita no ano de 2009.

Exemplo da flora da região.

Vista da entrada da cidade, com a pedra do "Gado Bravo" ao fundo.

29/05/2010

Arthur Bispo do Rosário


Natural de Japaratuba-Sergipe, Arthur Bispo do Rosário é descendente de escravos africanos, foi marinheiro na juventude, vindo a tornar-se empregado de uma tradicional família carioca.
Na noite 22 de Dezembro de 1938, despertou com alucinações que o conduziram ao patrão, o advogado Humberto Magalhães Leoni, a quem disse que iria se apresentar à Igreja da Candelária. Depois de peregrinar pela rua Primeiro de Março e por várias igrejas do então Distrito Federal, terminou subindo ao Mosteiro de São Bento, onde anunciou a um grupo de monges que era um enviado de Deus, encarregado de julgar aos vivos e aos mortos. Dois dias depois foi detido e fichado pela polícia como negro, sem documentos e indigente, e conduzido ao Hospício Pedro II (o hospício da Praia Vermelha), primeira instituição oficial desse tipo no país, inaugurada em 1852, onde anos antes havia sido internado o escritor Lima Barreto (1881-1922).

Um mês após a sua internação, foi transferido para a Colônia Juliano Moreira, localizada no subúrbio de Jacarepaguá, sob o diagnóstico de "esquizofrênico-paranóico". Aqui recebeu o número de paciente 01662, e permaneceu por mais de 50 anos.
Em determinado momento, Bispo do Rosário passou a produzir objetos com diversos tipos de materiais oriundos do lixo e da sucata que, após a sua descoberta, seriam classificados como arte vanguardista e comparados à obra de Marcel Duchamp. Entre os temas, destacam-se navios (tema recorrente devido à sua relação com a Marinha na juventude), estandartes, faixas de mísses e objetos domésticos. A sua obra mais conhecida é o Manto da Apresentação, que Bispo deveria vestir no dia do Juízo Final. Com eles, Bispo pretendia marcar a passagem de Deus na Terra.

Os objetos recolhidos dos restos da sociedade de consumo foram reutilizados como forma de registrar o cotidiano dos indivíduos, preparados com preocupações estéticas, onde se percebem características dos conceitos das vanguardas artísticas e das produções elaboradas a partir de 1960.
Utilizava a palavra como elemento pulsante. Ao recorrer a essa linguagem manipula signos e brinca com a construção de discursos, fragmenta a comunicação em códigos privados.
Inserido em um contexto excludente, Bispo driblava as instituições todo tempo. A instituição manicomial se recusando a receber tratamentos médicos e dela retirando subsídios para elaborar sua obra, e Museus, quando sendo marginalizado e excluído é consagrado como referência da Arte Contemporânea brasileira.


"Cada louco é guiado por um cadáver. O louco só fica bom quando se vê livre desse morto". - Arthur Bispo do Rosário

Fontes: Wikipédia, Google

05/05/2010

O poema roubado

No dia em que se completam 16 anos da morte de Mario Quintana, resolvemos fazer uma homenagem bem descontraída em nosso BLOG. Para isso, separamos um trecho do programa Palavra de escritor, com Claudia Tajes.
A autora de "Dez quase amores", "Só as mulheres e as baratas sobreviverão", entre outros, conta, de um jeito super divertido, que quando era criança, Mario escreveu um poema só para ela. Claudia recita os versos exclusivos e fala que, ao levar o presente do poeta para a escola, a professora o pegou e nunca mais devolveu. “Dona Didia, se vocês estiver ouvindo, devolva o meu poema” diz a escritora.


Fonte: LPM Blog

03/05/2010

O dia em que traduzi Renato Russo - Millôr Fernandes

Meu cartaz aumentou muito com a galera da faixa etária entre 15 e 20 anos, depois que Renato Russo me citou duas vezes em seus shows, como guru não sei de quê. Não muito tempo depois, José Costa Netto, meu advogado e agente de direitos autorais, me telefonou dizendo que Russo queria que eu ― profissionalmente ― traduzisse um poema (musical) dele. Recusei, achando que fosse tradução do português pro inglês. Não acredito em quem faz traduções pra outra língua que não a sua. (Viva o Povo Brasileiro, de João Ubaldo, tradução pro inglês feita por ele mesmo, tradução que não li, mas me dizem excelente, é exceção. Mas com maluco não só não se discute como é melhor não estabelecer regras).

De pura curiosidade pedi pra ler o poema. Minha estranheza foi enorme ― o poema, dedicado a um grande amigo dele, Cazuza, era denso, misterioso, cheio de sub-intenções, e em excelente inglês. Como uma pessoa que escrevia inglês assim me pedia para fazer a tradução? De qualquer forma topei traduzir, depois que o agente combinou o preço, altamente profissional. Altamente profissional, também, Renato Russo não hesitou diante do preço, bem, os da Legião Urbana não sabiam se o último show deles tinha 10 ou 60.000 espectadores.

Traduzir o poema era tarefa delicada, a começar pelo título "Feed-back for a dying young man". Qualquer tradutor desprevenido não perceberia que feed-back aí era um jogo de palavras entre o retorno emocional que o poeta fazia, com o retorno musical comum na música grupal ― quando um músico "solicita" a resposta do outro, tipo jam session. A palavra podendo significar ainda retorno de som, aquele que dá microfonia. E seria lamentável traduzir dying por moribundo, palavra que indica instantes finais e soturnos, e não, como alguém à morte, morte esperada mas sem tempo definido pra chegar, a palavra conservando ainda o lastro romântico das damas das camélias.

Porém, traduzido o poema, sendo o poema audacioso e seu autor vivo, entrei em contato com ele para aprovação. Renato não corrigiu uma palavra. Apenas, aqui e ali, murmurava, perplexo e escandalizado: "Deus, do céu, eu escrevi isso?", confirmando a minha tese de que não há bilingue. Só quando ouviu em sua própria língua o que tinha escrito em inglês, Renato percebeu a audácia do que dizia. Do lado de cá o surpreendido era eu. Com toda razão tendo opinião não muito lisonjeira a respeito do nível intelectual da maioria dos roqueiros, fui ficando admirado com a sutileza e justeza das observações de Renato e da perfeição com que ele citava coisas em inglês ― incluindo Shakespeare. Seu inglês era, definitivamente, melhor do que o meu. Até hoje não entendi por que me pediu a tradução. O poema foi incluído num de seus últimos CDs.

"Feedback song for a dying friend"
(Dado Villa-Lobos/ Renato Russo/ Marcelo Bonfá) © 1985

Soothe the young man's sweating forehead
Touch the naked stem held hidden there
Safe in such dark hayseed wired nest
Then his light brown eyes are quick
Once touch is what he thought was grip
This not his hands those there but mine
And safe, my hands do seek to gain
All knowledge of my master's manly rain
The scented taste that stills my tongue
Is wrong that is set but not undone
His fiery eyes can slash my savage skin
And force all seriousness away
He wades in close waters
Deep sleep alters his senses
I must obey my only rival ―
He will command our twin revival:
The same
Insane
Sustain
Again
(The two of us so close to our own hearts)
I silenced and wrote
This is awe
Of the coincidence

"Canção retorno para um amigo à morte"

Alisa a testa suada do rapaz
Toca o talo nu ali escondido
Protegido nesse ninho farpado sombrio da semente
Então seus olhos castanhos ficam vivos
Antes afago pensava ele era domínio
Essas aí não são suas mãos são as minhas
E seguras, minhas mãos buscam se impor
Todo conhecimento do jorro viril do meu senhor
O gosto perfumado que retém minha língua
É engano instalado e não desfeito
Seus olhos chispantes podem retalhar minha pele bárbara
Forçar toda gravidade a ir embora
Ele vadeia em águas fechadas
Sono profundo altera seus sentidos
A meu único rival eu devo obedecer
Vai comandar nosso duplo renascer:
O mesmo
Insano
Sustenta
Outra vez.
(os dois juntos junto de nossos próprios corações)
Calei e escrevi
Isto em reverência
Pela coincidência

Nota do Editor
Texto "descoberto" pelo nosso Colunista Diogo Salles e gentilmente cedido pelo autor. Reproduzido aqui como homenagem aos 50 anos de nascimento de Renato Russo, e também lembrando os 20 anos da morte de Cazuza. Clique AQUI para ler o artigo na íntegra.